FLASH, quando não estamos falando do herói da DC Comics que se move mais rápido do que a luz, é bem provável que esta palavra lhe cause alguns arrepios. Desenvolvido por Jonathan Gay, cofundador da FutureWave Software, originalmente ele recebeu o nome de FutureSplash Animator e estreou na web ainda em 1995, quando a internet era menos do que um arremedo do que se tornou hoje em dia.

Duas décadas depois o sonho acabou – ou, ao menos, está em vias de acabar. Apesar de sua evolução, de ter sido vendido para a Macromedia, que o rebatizou de Flash antes de ser comprada pela Adobe, a sua estrutura mais causa problemas do que ajuda programadores, web designers e pessoas que utilizam a internet. Os esforços para tornar o Flash relevante novamente não funcionaram e ele está morrendo aos poucos.

Muita gente não duvida mais que isso vai acontecer, mas é provável que aconteça ainda antes do que era esperado.
A Encoding divulgou recentemente o relatório Global Media Format Report 2016, no qual destaca a queda brusca do uso do Flash em várias frentes – como plugin de vídeo, o Flash começou o ano com uma fatia de mercado de 21% e terminou 2015 com apenas 6%.

Segundo o relatório, o Flash se mantém basicamente em banners de propaganda e navegadores antigos, mas deve ser totalmente extinto (enquanto plugin) até o final de 2017.
Mas quem é o grande responsável por essa queda? Seriam os próprios erros do Flash ou o surgimento de tecnologias abertas e melhores, como o HTML5?
A aposta mais coerente é que a junção das duas coisas selou o destino do Flash e, agora, é só questão de tempo para que ele tome o rumo de outra marca bastante conhecida da web, o Internet Explorer, e vá para o limbo do ciberespaço.

Do luxo ao lixo Jonathan Gay foi um visionário, não há como negar. Quando a web ainda andava a passos lentos e tímidos, ele projetou uma ferramenta capaz de oferecer animações vetoriais para sites de internet, inicialmente mirando a concorrência da tecnologia Macromedia Shockwave.

Após ser utilizado em páginas de companhias como Microsoft, Fox e Disney, ele chamou a atenção do mercado e a FutureSplash, sua desenvolvedora, foi adquirida pela Macromedia.

Estávamos em novembro de 1996 quando isso aconteceu e então a ferramenta foi renomeada, passando a atender pela alcunha de Macromedia Flash 1.0. Durante quase uma década, a Macromedia lapidou a ferramenta, ampliou suas funcionalidades e passou a oferecê-la não como uma ferramenta gráfica, mas como uma plataforma para aplicações da web. Por fim, a última vez em que o Flash mudou de mãos foi em 2005, quando a Macromedia foi adquirida pela Adobe.

Suas capacidades incrementadas, ele foi atualizado, ganhou novas funções e ainda surfou na crista da onda por mais alguns anos, até começar a se tornar obsoleto.

Talvez o ponto derradeiro para destacar a falência do Flash tenha sido, de fato, o surgimento do HTML5, uma tecnologia aberta e apontada por muitos como mais eficaz. Por que devemos celebrar? Você pode estar se perguntando porque o fim do Flash deve ser celebrado.

Bem, se você não consegue buscar em sua memória problemas que enfrentou com a ferramenta ao usar o YouTube, ver uma animação ou mesmo acessar uma página feita em Flash (aliás, o fim dessas páginas é outro motivo de comemoração), vamos contar algumas coisas.

O primeiro ponto é a lentidão no carregamento de uma página causada por objetos em Flash – isso quando ele não trava e você precisa recarregar a página. Vale lembrar ainda que o Flash tem sido a porta de entrada de 80% dos ataques de hackers, de acordo com estudo da Recorded Future.

Em 2015, a ferramenta sofreu com inúmeras falhas de segurança (relembre aqui alguns casos), expondo milhões de pessoas em todo o mundo. Juntos, estes dois motivos já são motivos mais do que suficientes para que os navegadores venham bloqueando o plugin do Flash. Além disso, o Flash é um sistema proprietário e fechado, o que prejudica a sua adaptação por parte dos desenvolvedores para os mais variados fins.

O reflexo de tudo isso, e do surgimento de alternativas mais competentes, leva o plugin da Adobe a contar os seus últimos dias.
Até mesmo a Adobe se movimenta no sentido de separar as coisas a fim de se livrar da carga negativa da marca “Flash”. A companhia anunciou em dezembro que o seu software de animação (que também se chama Flash) vai mudar de nome. O fim do Flash enquanto plugin e tecnologia de reprodução de conteúdo na web inevitavelmente vai chegar mais cedo do que se esperava.

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